Plantando a história agrícola do país
21/9/2007
- Durante quase 100 anos, a memória da primeira escola agrícola do Brasil, fundada em fevereiro de 1877, em São Bento das Lages, no Recôncavo Baiano, foi deixada de lado. Em sucessivas mudanças de sede, livros, documentos e fotografias foram se deteriorando e boa parte do acervo desapareceu. Há dois anos, o professor da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, Áureo Silva de Oliveira, deu início, com o apoio do CNPQ, ao projeto Memorial do Ensino Agrícola Superior na Bahia. Agora, ele e uma equipe de profissionais correm contra o tempo para salvar preciosidades históricas, como a ata de fundação do Imperial Instituto Baiano de Agricultura, que deu origem à escola, assinada por d. Pedro II em 1859. A criação da instituição foi estimulada diretamente pelos barões da cana, que buscavam a modernização da produção brasileira. Na época, a ausência de professores de agronomia no país fez vir da Europa diversos especialistas para lecionar na nova escola baiana. O acervo da instituição foi então se formando com publicações técnicas em alemão, francês e latim, que constituem hoje um acervo de cinco mil volumes. Há, entre os documentos, registros da chegada de diversas espécies vegetais no Brasil, pelo porto da Bahia, inclusive a soja. A sede original da Escola, o engenho em São Bento das Lages, está hoje em ruínas. O projeto pretende futuramente recuperar a construção histórica que, antes de servir à instituição, foi um convento de beneditinos. “Quando esse material puder ser consultado, ficará evidente a importância da agricultura da Bahia e o papel pioneiro desempenhado pela Escola de Agronomia na história da ciência agrônoma no Brasil”, diz Áureo de Oliveira.
- Referência:
- http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/plantando-a-historia-agricola-do-pais
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