quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A importância do conhecimento dos nematóides para a diagnose de problemas em plantações de soja.

O Brasil é um dos países que mais cresceu na produção de soja dos últimos anos, e a expansão de áreas para a ampliação da produção vem aumentando consideravelmente. Essa expansão territorial é proporcional à demanda do mercado para suprir as necessidades alimentares do país e de outras nações.
Mesmo tendo suposto uma regra lógica para o processo produtivo, ampliando-se as terras aumenta-se a produção, a natureza obedece a suas próprias regras que nem sempre corresponde às expectativas dos produtores. Por exemplo, o que aconteceu com a produção de soja durante as safras de 2001 para 2002, quando houve uma perda da produção devido o aparecimento de doenças causadas por causa da presença de fungos nas plantas.
Assim como acontecem as perdas de safra por causa do aparecimento de doenças fungicas, também acontecem perdas pelo surgimento de doenças causadas por outros agentes, os nematóides.
As doenças causadas por nematóides possuem um agravante, se não são diagnosticadas com precisão além de causar a perda da safra atual, pode gerar perdas em futuras safras além de aumentar os gastos do produtor com um tratamento equivocado do problema.
Existem no mundo mais de noventa espécies de nematóides e no Brasil temos conhecimento de pelo menos cinco espécies que costumam afetar as plantações de soja. Algumas doenças causadas por eles podem levar o produtor à acreditar que existe uma falta de nutrientes no solo. Outros por possuírem um solo fértil podem observar a presença da doença tardiamente, quando as plantas já tiverem atingido a maturidade e não seja possível recuperar os danos.
Um bom método para evitar a presença de nematóides no solo é a variação de culturas ou encharcando o solo por certo período de tempo para depois semear. Tendo ciência de que falamos de produção com prazos para entrega o primeiro método para evitar a presença dos patógenos seria a mais aconselhável principalmente porque geraria uma nova fonte de renda através da produção de outra cultura.
Mesmo assim, ambas as técnicas de prevenção à doença demandam tempo e faz-se necessária a compreensão por parte dos produtores e receptores destas premissas para que o cultivo seja seguro. Sendo assim, eles podem através de associações e parcerias revezar a produção e/ou demandar novos prazos aos compradores para poder garantir a qualidade do produto.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Lavouras do Brasil

Aprenda a produzir em casa o inseticida com baculovírus
Inseticida natural de baixo custo, desenvolvido
pela Embrapa, não provoca danos aos seres
humanos ou ao meio ambiente

Valéria Giani | Londrina (PR)
O baculovirus anticarsia, inseticida natural, foi desenvolvido pela Embrapa na década de 80. Além de não trazer problemas para o meio ambiente, o controle biológico através do uso da própria lagarta oferecia também um baixo custo para os produtores. Só que ao longo do tempo a técnica foi caindo no desuso.
O momento ideal para produzir o baculovirus é logo após o ataque da planta, quando as lagartas estão com a maior carga viral. Para produzir 20 gramas do inseticida natural são necessárias entre 50 e 70 lagartas de tamanho grande. Depois de amassadas e coado o líquido, o produto é diluído em 200 litros de água. Quantidade suficiente para pulverizar um hectare. Se a quantidade de lagartas for maior você poderá usar um liquidificador para triturar os insetos, e se houver necessidade o líquido poderá ser congelado. Depois de aplicado na lavoura, o inseticida mata a lagarta entre 7 e 9 dias.

Flávio Moscardi, pesquisador aposentado da Embrapa, foi o criador da técnica.

– Ele é inofensivo para vertebrados – inclusive o homem, e plantas. Ele só mata o inseto que ele infecta, que é a lagarta da soja. Também não polui o solo ou as águas. Ele é inócuo e também não tem impacto sobre outras espécies, inclusive de insetos como outras lagartas e também parasitóides predadores que são os inimigos naturais. As vantagens são muito grandes, além do custo ser barato – explica o pesquisador.
– A grande vantagem é que ele pode ser aplicado apenas uma vez contra as lagartas pequenas. E essas lagartas vão morrendo, e quando morrem contém uma quantidade muito grande de partículas virais que se multiplicam em todos os tecidos da lagarta e com isso sempre há a liberação de mais vírus sobre as plantas da soja, gerando a morte de lagartas que eclodem de posturas feitas depois da aplicação.

Há 10 anos, o baculovírus chegou a ser utilizado em dois milhões de hectares de soja em todo o brasil. o inseticida foi um dos maiores exemplos de controle biológico.
Atualmente, a área tratada com o baculovírus é bem menor: são apenas 200 mil hectares de soja em todo o país. o uso diminuiu devido a novas práticas de controle de pragas.

– Infelizmente, começou-se a aplicar cada vez mais cedo, com as plantas ainda pequenas, ou antes da soja nascer na dessecação. Se incutiu que deveria se aproveitar as aplicações. Ao se fazer a aplicação de herbicidas, por exemplo, que se misturasse inseticidas químicos de amplo espectro que na verdade levaram a um desequilíbrio. E com isso se eliminava muito cedo os inimigos naturais de pragas – comenta o pesquisador da Embrapa.
– Com isso, o produtor acabou aumentando o número de aplicações. Obviamente, que tendo problemas com essas outras pragas, não dava para ele usar o baculovírus, que é específico para a lagarta da soja anticarsia gemmatalis. Então se gerou uma inversão de valores dando status de praga para insetos que antes não eram pragas – finaliza.

Depois de criar a técnica do baculovírus na década de 80, o pesquisador Flávio Moscardi vai conduzir um novo estudo. Para o colega Adeney Bueno, também pesquisador da Embrapa, o resultado pode corrigir um grande erro.

– Existe um projeto recém-aprovado na Embrapa que vai estudar a compatibilidade de se misturar o baculovírus com herbicidas, por exemplo. Porque o produtor, quando vai aplicar o herbicida na pós-emergência, sente a necessidade de aproveitar a operação agrícola. Muitas vezes, ele mistura inseticidas de longo espectro, que acabam tendo efeito danoso à lavoura porque eliminam os inimigos naturais, causando um desequilíbrio que faz com que outras pragas que não cresceriam a ponto de serem pragas ocorram. Então, se o doutor Flávio provar que dá para usar o baculovírus junto com o herbicida, essa aplicação seria muito menos danosa. Além de controlar a lagarta da soja, ia permitir a preservação de inimigos naturais e que outros problemas sejam minimizados – afirma.
– Essa é uma grande esperança nossa. O desuso do baculovírus foi um grande erro que tem não só aumentado o número de aplicações de inseticidas, como também acarretado muitos problemas.

CANAL RURAL
capa_notaTD 0913 - Ocupação Agrícola e Estrutura Agrária no Cerrado: O Papel do Preço da Terra, dos Recursos Naturais e da Tecnologia

Gervásio Castro de Rezende / Rio de Janeiro, outubro de 2002

Este trabalho propõe que a rápida expansão agrícola das regiões do cerrado, que tem seconcentrado nas atividades de grãos e pecuária bovina, se deve ao baixo preço da terranessas regiões vis-à-vis as demais regiões agrícolas do Brasil e do exterior. Esse baixo preçoda terra, por sua vez, é explicado não só em função da maior distância dessas regiões docerrado em relação aos mercados consumidores (o que, naturalmente, tende a anular avantagem desse menor preço), mas, também, devido às limitações dos recursos naturais(extremo rigor do período seco, que restringe a atividade agrícola a grãos e pecuáriabovina) e, sobretudo, às inovações tecnológicas que tornaram possível que a terra de boaqualidade se tornasse abundante na região, mediante sua produção a partir de terras dequalidade inferior. Para mostrar mais claramente como isso vem ocorrendo, o trabalhodesenvolve um modelo de mercado de terra com ?produção de terra?, especialmente talhado para a análise do cerrado. Prosseguindo nesses objetivos teóricos, o trabalhopropõe um contraste com as teorias de progresso técnico de Hayami e Ruttan e de Hicks,concluindo que elas não são adequadas para a análise do cerrado. Procura-se tambémderivar implicações para as análises de função de produção e de produtividade total dosfatores (PTF). Finalmente, o trabalho procura também explicar a formação da estruturaagrária concentrada no cerrado e, em particular, a pequena presença da agriculturafamiliar na região. Nessa discussão, a ênfase recai sobre o preço baixo das terras e ascaracterísticas peculiares dos recursos naturais e da tecnologia, e não sobre as políticaspúblicas. Em suas conclusões, o trabalho deriva implicações para as políticas de meioambiente e de reforma agrária e critica as análises econométricas do preço de terra feitasaté agora, por não levarem em conta esse mecanismo de longo prazo de criação de terrano Brasi

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Primeira folha feita pelo homem converte gás carbônico em oxigênio

Por Redação Olhar Digital
(Foto: reprodução)
(Foto: reprodução)
As plantas são uma dádiva para a humanidade e a vida animal como um todo, fornecendo o oxigênio necessário para a existência. O problema é que elas não crescem em gravidade zero, o que impede seu uso para reciclagem do ar em viagens espaciais. Agora isso pode deixar de ser um problema com a primeira folha capaz de fazer a fotossíntese criada pela ação humana.
Julian Melchiorri, formado na universidade britânica Royal College of Art, criou uma alternativa à falta de terra, sol e nutrientes que normalmente são necessários para a fotossíntese. Sua criação utiliza cloroplastos (a parte da célula da planta responsável pela fotossíntese) e proteínas de seda para criar algo que parece uma folha visualmente, com a mesma capacidade de produção de oxigênio a partir do dióxido de carbono, água e luz.
O pesquisador pensou nas aplicações para viagens espaciais, que certamente devem ser observadas de perto pela Nasa, mas também pensou em aplicações mais cotidianas, como o fornecimento de ar fresco em um ambiente fechado, por exemplo, usando em uma luminária, por exemplo.
No vídeo abaixo, ele cita a possibilidade de que a fachada de prédios poderiam ser revestidas do material criado por ele para dar uma reciclada no ar da cidade.
Fonte: [ Olhar Digital ]

Pegada hídrica, um novo desafio para a pecuária


448Pegada hídrica é a quantidade de água, direta e indiretamente, usada na produção de um produto. A média global para a produção de um quilo de carne bovina é de 15,5 mil litros de água
Por Gisele Rosso*
A estiagem que afeta o Estado de São Paulo traz reflexos negativos tanto no meio urbano como no rural. Para Albano Henrique de Araújo, coordenador de Estratégia de Água Doce da The Nature Conservancy (TNC), organização de conservação ambiental presente em mais de 35 países, parte do problema está associado a uma gestão ineficiente do recurso água, que poderia ser otimizada com a aplicação do conceito da pegada hídrica.
Pegada hídrica é a quantidade de água, direta e indiretamente, usada na produção de um produto. A água está presente na calça jeans, no combustível, na carne, no leite, no papel. O quanto desse recurso é preciso até o produto chegar ao consumidor é um cálculo complexo, e o resultado, geralmente, alto. Conhecer o valor da pegada pode colaborar para evitar o desperdício e melhorar a gestão da água.
O Brasil tem cerca de 12% da água doce do planeta. No entanto sua distribuição é desigual e as principais reservas não estão localizadas onde se concentra grande parte da população. Um exemplo é que 68% da disponibilidade de água superficial está na Região Hidrográfica Amazônica, onde a concentração populacional é menor.
"A falta de água traz uma conscientização imediata sobre a importância de usar de forma sustentável os recursos hídricos", afirma Albano de Araújo. Para ele, a preocupação com a água é inversamente proporcional à sua disponibilidade. Com os problemas de escassez vividos na atualidade, o assunto entra na pauta do governo e da sociedade.
A falta de água não afeta apenas o meio urbano. Agricultores e pecuaristas sofrem com a escassez, já que dependem de água para produção de alimentos. No entanto, o manejo desse recurso ainda não faz parte da rotina desses produtores e o uso intenso, sem gestão adequada, coloca em risco sua disponibilidade em quantidade e qualidade e o futuro dos sistemas de produção.
Pegada hídrica na pecuária
O agronegócio, apenas em 2013, gerou, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), um superávit de US$ 83 bilhões. As exportações de carne bovina em 2013 significaram US$ 6,6 bilhões de receita, alta de 13,9% em relação a 2012, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Para manter-se competitivo economicamente e ao mesmo tempo fazer com que a produção agropecuária seja socialmente justa e ambientalmente correta, é preciso que o produtor adote em suas rotinas produtivas conhecimentos, práticas e tecnologias que visem uma propriedade mais sustentável. O manejo hídrico é um dos gargalos.
Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, as propriedades rurais ainda não têm controle significativo da água captada e consumida. "Houve evolução nos sistemas de produção e em suas práticas reprodutivas, nutricionais e sanitárias. Agora, o momento é de um novo salto - internalizar o manejo hídrico, ambiental e de resíduos. Educação e uma cultura hídrica são indispensáveis para que a água não seja uma ameaça ao desempenho e à sanidade das criações", explica Palhares.
Para fazer o manejo hídrico da propriedade, é necessário conhecer os fluxos de água e o quanto é consumido. Mas como chegar a esses números? Embrapa, instituições de pesquisa e iniciativa privada estão, neste momento, calculando a pegada hídrica da carne e do leite. No caso da carne, por exemplo, o cálculo para conhecer a pegada hídrica leva em consideração toda a água usada no processo, desde a quantidade consumida na produção do alimento dado ao animal até a utilizada no abate.
Informações do cálculo são mais importantes que resultado
De acordo com Julio Palhares, conhecer o sistema de produção é fundamental. O valor depende do local do sistema, do tipo de animal, da composição e origem dos alimentos fornecidos e das formas de uso da água – para consumo animal, irrigação, resfriamento e lavagem.
A pegada hídrica auxilia no entendimento de como o produto se relaciona com a água. O pesquisador ressalta que o mais importante não é o valor final, mas as informações geradas pelo cálculo que possibilitam uma melhor gestão dos recursos hídricos nas propriedades e nas cadeias de produção.
O cálculo da pegada que envolve a Embrapa e parceiros tem como base os sistemas de produção de carne em confinamento e de leite a pasto. O diferencial da pesquisa diante de cálculos já feitos é trabalhar com as realidades produtivas brasileiras. O resultado será a validação de práticas e tecnologias para reduzir o valor da pegada hídrica e, assim, melhorar a eficiência do uso da água.
A média global para a produção de um quilo de carne bovina é de 15,5 mil litros de água. De acordo com Araújo, esse valor foi influenciado pela criação intensiva de gado nos países europeus, com alimentação à base de ração.
No Brasil, a produção a pasto é predominante. O especialista da TNC acredita que o resultado da pegada hídrica no Brasil deve ser inferior à média global, levando em conta os métodos produtivos e as condições climáticas.
Bom exemplo
O produtor de leite orgânico Ricardo José Schiavinato, da Fazenda Nata da Serra, em Serra Negra (SP), utiliza controle da água para diminuir o consumo em sua propriedade.
Uma das práticas é a irrigação noturna. Outra foi a instalação do evaporímetro de Piche, que mede a evaporação da água, o que garante maior informação para a gestão. A reutilização da água da lavagem do laticínio e do local de ordenha na fertirrigação para adubação das pastagens também ajudou a garantir a economia e melhor aproveitamento dos recursos.
Schiavinato conta que, com o monitoramento constante, é possível economizar água e também dinheiro. O consumo é um indicador importante para a tomada de decisão na hora da gestão de modo a melhorar a eficiência da produção na fazenda.
Para medir o consumo na propriedade e conhecer o custo da água, de forma simples e barata, o pesquisador Julio Palhares recomenda a instalação de hidrômetros. Ele alerta, entretanto, que "os equipamentos devem ser escolhidos de acordo com as características estruturais e hídricas de cada propriedade, o que requer consulta a um profissional habilitado".
O manejo hídrico em propriedades agropecuárias, como o caso de Schiavinato, ainda é isolado. De acordo com Palhares, é necessário ampliar o conhecimento sobre o assunto e fortalecer políticas públicas que estimulem o uso eficiente da água pelas criações pecuárias.
O impacto de práticas hídricas adequadas ultrapassa o ambiente da propriedade, afetando positivamente toda a cadeia de produção e até o consumidor final. Trata-se de produzir igual ou maior quantidade de carne ou leite, por exemplo, com menos litros de água. O resultado é a redução do valor da pegada hídrica, essencial para uma produção animal mais sustentável e economicamente viável.

Fonte: Embrapa – pecuaria-sudeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (16) 3411-5625 (Confira também:
www.facebook.com/agrosustentavel)

SOS ABELHAS


464
Governo norte-americano reconhece que abelhas estão morrendo a uma taxa alarmante
Por Fabiano Ávila
Um novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou que o atual ritmo de mortes de abelhas durante o inverno é preocupante e está insustentável economicamente para os apicultores. De acordo com os dados levantados, 23,2% das Apis mellifera, que são as abelhas domesticadas para a fabricação de mel, do país morreram durante o inverno de 2013/2014. Além de ser um problema para os apicultores, o desaparecimento das abelhas significa uma grave crise ambiental e um problema para várias culturas agrícolas, que precisam delas como agentes.
Um número muito acima da taxa de mortes que os apicultores consideram como o máximo aceitável para que a sua atividade seja viável economicamente, algo em torno dos 18%.

“Populações saudáveis de polinizadores são essenciais para a economia agrícola. Apesar de estarmos felizes com a diminuição de mortes, as perdas ainda são muito altas e temos que trabalhar para diminuí-las”, afirmou Tom Vilsack, secretário de Agricultura dos EUA, destacando que houve uma redução de 7,3% com relação aos 30,5% de mortes registradas em 2012/2013.
Segundo Jeff Pettis, coautor da pesquisa e membro do Serviço de Pesquisas Agrícolas dos EUA, não foi possível identificar os fatores por trás das mortes e nem porque o número caiu com relação ao inverno anterior.
“Flutuações anuais como esta mostram como é complicado acompanhar a saúde das abelhas, que podem estar sendo afetadas por vírus, parasitas, problemas de nutrição – relacionados com a falta de diversidade de pólen – e pesticidas”, explicou Pettis.
Neonicotinoides
Um outro estudo, divulgado no último dia 9/5, demonstrou que neonicotinoides, que são amplamente utilizados nos EUA, são danosos para as abelhas. Conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard, o trabalho salienta que esses pesticidas provocam o chamado Distúrbio do Colapso das Colônias (DCC), processo pelo qual abelhas abandonam sua colmeia sem aparente razão e acabam morrendo.
“Demonstramos mais uma vez, com alta probabilidade, que os neonicotinoides podem ser responsáveis por casos de DCC”, disse Chensheng Lu, um dos autores do estudo.
Lu e sua equipe observaram durante o inverno o comportamento de abelhas em colméias de regiões próximas às plantações onde eram utilizados neonicotinoides, e concluíram que a taxa de DCC foi 50% maior nessas colméias do que em outras localidades.
“Apesar de termos demonstrado que existe uma associação entre os neonicotinoides e a morte de abelhas, novos estudos deverão ser feitos para elucidar como funciona esse mecanismo e qual seria a quantidade de pesticida necessária para provocar o DCC. Esperamos conseguir reverter a tendência de perda de abelhas”, concluiu o pesquisador.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Com o advento da globalização e avanço tecnológico, os diversos setores econômicos têm percebido uma necessidade do aumento da eficiência de seus serviços e melhoria da qualidade de seus produtos, de forma sustentável, isto é, respeitando os limites da natureza e aumentando a sua produtividade, o que não é diferente no setor agrícola, a fim de garantirem bons níveis de competitividade no mercado.
A evolução da informática, tecnologias em geoprocessamento, sistemas de posicionamento global e outras tecnologias similares, proporcionam à agricultura uma nova forma de visualizar a propriedade, deixando de ser considerada como uma área com características homogêneas e sim como uma área heterogênea, que requer conhecimento e tratamento detalhado de suas especificidades. Esta mudança na forma de fazer agricultura está tornando, cada vez mais, o produtor rural um empresário rural, por auxiliá-lo no controle da sua linha de produção.
As geotecnologias, também conhecidas como geoprocessamento, são o conjunto de tecnologias para coleta, processamento, análise e disponibilização de infomações com referência geográfica, denominadas tecnicamente de georreferenciadas. São poderosas ferramentas para tomada de decisão. Dentre as geotecnologias, estão os SIG - Sistemas de Infonnação Geográfica, a Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, Sistema de Posicionamento Global (GPS - Global Positioning System), Aerofotogrametria, Geodésia, e a Topografia Clássica, entre outros.
Agricultura de Precisão
Internacionalmente chamada de Precision Agriculture, Precision Farming ou Site-Specific Crop Management. A grande diferença entre o Sistema de Agricultura de Precisão e o convencional é o fato de se tratar a área, talhão ou a própria fazenda, considerando a variabilidade espacial e temporal dos atributos dos solos e das plantas. Engloba o uso de tecnologias atuais para o manejo do solo, insumos e culturas.
O que tem levado a esta nova filosofia de prática agrícola é o uso de três novas tecnologias, que são o sensoriamento remoto, o uso de SIG e de GPS. A agricultura de Precisão permite um acompanhamento metro a metro de sua lavoura, possibilitando uma ação localizada em cada pequeno lote, tratando então cada uma destas áreas segundo a necessidade. Assim, você aumenta sua rentabilidade, além de ajudar a proteger o meio ambiente.
Neste sistema, as colheitadeiras são equipadas para receber sinais de satélite (GPS), que determinam qual é a localização precisa de sua máquina, mapeando então toda sua produção por sen- sores capazes de medir a quantidade de grãos colhidos. Imagine que você tenha uma área de 500 hectares de soja com uma média de 50 sacas/ha. Você suspeita que em alguns pontos a produtividade chega a 70 sacas e em outros pontos somente 30 sacas. Se você pudesse identificar com exatidão estes pontos os trataria de maneira diferente? Se a resposta for sim, isso seria Agricultura de Precisão.
Desta forma, pode-se iniciar analisando a performance de diferentes variedades e taxas de sementes utilizadas durante o plantio, taxas de fertilizantes, tipos diferentes de defensivos utilizados e variações no preparo de solo. O objetivo é aumentar sua lucratividade e otimizar o uso de insumos. As etapas básicas do sistema de Agricultura de Precisão são: a coleta de dados, o planejamento do gerenciamento e a aplicação localizada dos insumos.
GPS/DGPS
o GPS é composto por uma rede de satélites que enviam sinais captados por aparelhos, permitindo ao usuário identificar na terra, a posição do objeto em análise. Com isso, o resultado final desse recurso é otimização do manejo da área e da aplicação de insumos agrícolas.
O GPS caracteriza-se por ser muito prático, com geração e correção de informações de forma rápida. Sua utilização no Brasil começou há uns doze anos, porém, este sistema não é altamente preciso no seu posicionamento, recebendo algumas interferências. Sendo assim, uma das alternativas encontradas para a obtenção de resultados mais exatos com o GPS é o posicionamento relativo denominado Differential Global Positioning Syistem (DGPS), onde a ideia é eliminar os efeitos sistemáticos dos erros.
Para isto, um receptor é colocado fixo em um ponto com coordenadas previamente estabelecidas (base), enquanto o outro (veículo) é situado em local que é almejado saber a sua posição. Programas específicos computacionais corrigem as posições almejadas, utilizando os dados obtidos pelos re ceptores base e veículo, com esta técnica a precisão aumenta substancialmente.
A correção da posição pode ser feita em tempo real ou os dados da posição podem ser armazenados para pós-processamento. A distância entre base e veículo não pode ser superior a 100 quilômetros, para não ocorrerem erros sistemáticos. Com o posicionamento relativo, pode-se obter exatidão de até cinco metros, podendo chegar a casa dos milímetros, dependendo do equipamento, tipo de sinal captado, modo de posicionamento, tempo de permanência, evitando-se também multicaminhamento.
SIG
O SIG pode ser conceituado como um conjunto de hardware, software e dados geográficos projetados eficientemente para adquirir, armazenar, atualizar, manipular, analisar e visualizar todas as formas de informações geograficamente referenciadas. Esta ferramenta possibilita a integração dos dados disponíveis na propriedade com a base cartográfica, agilizando e aperfeiçoando o processo de tomada de decisão.
Associadas ao SIG, existem várias técnicas que permitem uma melhor espacialização dos dados, dentre elas destaca-se a geoestatística. A geoestatística é um conjunto de técnicas utilizadas para analisar e inferir valores de uma variável distribuída no espaço ou tempo. Por exemplo, os dados de precipitação são coletados em estações pontuais, mas o fenômeno ocorre em toda a superficie de uma determinada área.
Sensoriamento Remoto
Sensoriamento remoto pode ser entendido como a utilização de sensores para a aquisição de informações sobre objetos ou fenômenos, sem que haja contato direto entre eles. Os sensores são capazes de obter informações sobre a superfície da terra, detectando e registrando a energia proveniente dos objetos que chegam até os sensores.
Esta tecnologia vem sendo aplicada em diversas áreas do conhecimento, devido a possibilidade de se obter uma gra

Referência: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=22528&secao=Artigos%20Especiais

Tecnologia aplicada ao campo

A tecnologia aplicada a campo está em plena ascensão. A chamada agricultura de precisão ou agricultura inteligente, que utiliza dados meteorológicos para o acompanhamento das fases da cultura, tem conquistado produtores em todo o País.
Mas como dados sobre a temperatura do ar, tempo de molhamento foliar, precipitação e umidade do solo podem de fato ajudar na produção? De que modo o produtor pode utilizar esses dados e qual a importância de sabê-los?
As culturas e plantas em geral, só se desenvolvem bem se encontram condições favoráveis de clima. Entre as principais variáveis climáticas, determinantes para o sucesso do desenvolvimento de uma determinada espécie em uma região, estão a chuva, a temperatura e a radiação solar. A umidade relativa e o vento são variáveis secundárias, não menos importantes, mas tendo as primeiras, a cultura pode se adaptar.
Por isso, para que a cultura possa se desenvolver bem em uma determinada região é necessário o monitoramento agrícola. Esse monitoramento está relacionado ao acompanhamento das condições do tempo durante as várias fases da cultura. Se o agricultor faz o acompanhamento, ele tem condições de saber a hora certa de irrigar, pulverizar, colher, além de relacionar as fases mais críticas da cultura como o desenvolvimento vegetativo, o florescimento e a maturação. Caso tenha o acompanhamento do número de horas de molhamento foliar, ele poderá ficar atento ao desenvolvimento de doenças nas plantas. Pode também acompanhar o risco de geadas na sua propriedade e se precaver contra isso.
É importante que o agricultor esteja bem informado para saber fazer o acompanhamento das condições do tempo adequadamente. Saber quais os valores que são benéficos e quais os que ele deve tomar providências. Como os dados obtidos, o agricultor vai poder, por exemplo, utilizar de forma racional a água, fazendo um acompanhamento na sua propriedade do serviço de irrigação.
A agricultura de precisão, para ser colocada em prática, usa diversos recursos: de tratores a sensores inteligentes para o monitoramento do microclima agrícola. Entre eles, os de temperatura, umidade do ar, tempo de molhamento foliar e precipitação, presentes em equipamentos específicos para o campo.
Está ficando cada vez mais no passado o uso de equipamentos que exigiam uma certa dose de força bruta. Hoje os profissionais que operam esta máquinas devem saber também interpretar diversos instrumentos no painel e tomar decisões de acordo com as informações que interpretam.
Por  em 4 set 2012. Arquivado em Ciência & TecnologiaGeral. Você pode acompanhar quaisquer comentário a esta notícia através do RSS 2.0. Comentários e pings estão fechados no momento.
Referência: http://gazeta24horas.com.br/portal/?p=12592

História: A Mecanização Agrícola no Brasil

- Continuando o assunto sobre o primeiro trator brasileiro, irei abordar agora o tema da Mecanização Agrícola no Brasil de uma forma mais ampla possível, começando então com trechos de uma matéria da revista Mundo Agrícola Nº 162 de Junho de 1965:

"A Mecanização Agrícola no Brasil"

"Foi somente após a II Guerra Mundial que, no Brasil, houve um sensível progresso no setor da mecanização agrícola , com o reestabelecimento do comércio de trocas entre o nosso País com as demais nações da América e da Europa. Acredita-se que, anteriormente ao conflito mundial, contava o Brasil com cêrca de 3.380 tratores, sendo a área total cultivada, naquela época, de perto de 14 milhões de hectares de terra. A nossa população era então da ordem de pouco mais de 40 milhões de habitantes."

"Depois do término da guerra de 1939-1945, o aumento do número de tratores tornou-se acentuado, chegando a importação, em 1951, a atingir o número de 11.142 máquinas tratorizadas, o que representava cêrca de 60% dos tratores existentes. A importação de tratores no período pós-guerra foi um tanto desordenada, tendo o nosso País recebido um número bastante considerável de máquinas sem nenhuma tradição no mercado internacional e provindas da indústria americana e européia que se transformavam de produtoras de equipamentos bélicos à produtoras de máquinas agrícolas e para outros fins. Foram inúmeros os tratores que, após poucas horas de uso, foram paralizados ou mesmo encostados por não se adaptarem às nossas condições ou pela precariedade de sua construção." (Somente essa parte já explica boa parte da história dos tratores antigos no Brasil...)

- Nesta matéria da revista Mundo Agrícola já temos uma idéia do quão desordenada foi a importação dos primeiros tratores, visto também que sua produção não era algo específico, e sim na maioria dos casos aproveitamento da indústria de veículos militares.

- Segue aqui trecho de uma matéria retirado da revista O Dirigente Rural de Jan/Fev de 1972:

"Até 1959 existiam cêrca de 150 modelos estrangeiros de tratores de diversas marcas e de diferentes tipos, obrigando o nosso agricultor a fazer as mais variadas adaptações nos escassos implementos agrícolas disponíveis. As fábricas dêsses implementos tratorizados eram relativamente poucas, pois, devido à grande diferença de um trator para outro, se tornava difícil produzir grades, arados ou cultivadores que se adaptassem a essas máquinas. Somente as indústrias de implementos de tração animal mantinham bons níveis de venda, não só pela baixa relação trator/área cultivada como também pela inexistência de concorrentes estrangeiros: os Estados Unidos e outros países desenvolvidos há muito já tinham praticamente abolido êsse tipo de mecanização."
"Outro fator que causava problemas aos agricultores era a falta de peças sobressalentes para reposição. Além de caras, pois precisavam ser importadas, demoravam muito a chegar ao País. Em virtude do excessivo número de marcas de tratores existentes, os revendedores nacionais de peças nunca possuíam estoques completos, fazendo seus pedidos por carta e ocasionando esperas de às vêzes até 4 meses. Ora, como nenhum lavrador pode esperar todo êsse tempo num período de safra agrícola, a solução era usar a tração animal, embora menos eficiente."


- Nesse trecho da revista Dirigente Rural um pouco mais "recente", ano de 1972, novamente é citado o problema com a importação de tratores das mais variadas marcas e modelos e sem nenhuma assistência para o agricultor. Pelo que se entende lendo as matérias, era o verdadeiro compre um trator e o problema é seu!

- Já nessa época de problemas, previa-se a futura "nacionalização" da produção de tratores, conforme o trecho abaixo retirado da revista Mundo Agrícola Nº 162 de Junho de 1965:

"Dentre as metas do Govêrno Juscelino Kubitschek, a da mecanização agrícola figurava de simples importação de tratores e implementos, não tendo cogitado da fabricação, no País, dêsse equipamento. Consistia, essa meta, na importação de máquinas com facilidades cambiais e em condições vantajosas de financiamento externo, dando, entretanto, grande ênfase à implantação da indústria automobilística. Após o estabelecimento desta, com a participação de todo o conjunto industrial de auto-peças, cogitou-se da fabricação do trator brasileiro. Na verdade, os primeiros ensaios sôbre a implantação da indústria do trator em nosso País, datam de 1956, quando foi criado o Grupo de Trabalho de Mecanização da Agricultura, que funcionava anexo ao Conselho de Desenvolvimento. O Decreto nº 40.260, de 01 de Novembro de 1956, estabelecia normas reguladoras da importação e distribuição de tratores e implementos agrícolas, orientando, também, a sua nacionalização progressiva."

"Em 1959, em São Paulo, foi realizado o I Simpósio sôbre a Fabricação do Trator e Implemento Agrícola no Brasil, sob o patrocínio da Secretaria da Agricultura do Estado e colaboração do Sindicato da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares do Estado de São Paulo, Sociedade Paulista de Agronomia, Sindicato da Indústria de Máquinas do Estado de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, etc.
Nesse certame foram, definitivamente, estabelecidas as bases para a implantação da indústria do trator no Brasil, sendo esquematizada pelo decreto nº 47.473 de 22 de dezembro de 1959, complementado pela Resolução nº 224, de 28 de dezembro de 1959, do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística). Êsse instrumento legal, estipulava que a produção nacional de tratores agrícolas deveria iniciar-se no decorrer do ano de 1960, com uma nacionalização mínima de 70% do pêso total, incluindo motor com pelo menos 60% de seu pêso, ou alternativamente, a caixa de mudanças com 70% de seu pêso, prosseguindo o processo de nacionalização até atingir 95% do pêso do trator em 30 de junho de 1963.
O decreto previa, ainda, a importação, sem cobertura cambial, de máquinas e equipamentos, sem similar nacional, para instalação da indústria. Outro item do decreto em tela vedava a importação, a partir de 1º de Julho de 1960, de tratores completos e montados, com benefícios cambiais e fiscais."

- Dá-se início então as primeiras tentativas de se fabricar um trator nacional. Começa-se a correria com diversas marcas que já "montavam" seus tratores aqui, sendo elas: Valmet, Massey-Ferguson, Ford, Deutz (Demisa), Fendt e CBT (Oliver inicialmente).

- Anterior aos primeiros passos de nacionalização, a empresa Cockshutt canadense, e a Fiat italiana (Através da Fábrina Nacional de Motores), já mostravam interesse pela produção de tratores no Brasil, e chegaram até a apresentar propostas ao Governo Federal. Mas como nem tudo que reluz é ouro..... Dificuldades técnicas e econômicas barraram as propostas, e o Governo volta sua atenção para a importação conseguindo um empréstimo da ordem de 18 milhões de dólares do Eximbank de Washington, importando com isso de 1952 a 1955 mais de 30 mil tratores.


Referência: http://tratoresantigos.blogspot.com.br/2009/08/mecanizacao-agricola-no-brasil.html

Plantando a história agrícola do país

21/9/2007

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  • Durante quase 100 anos, a memória da primeira escola agrícola do Brasil, fundada em fevereiro de 1877, em São Bento das Lages, no Recôncavo Baiano, foi deixada de lado. Em sucessivas mudanças de sede, livros, documentos e fotografias foram se deteriorando e boa parte do acervo desapareceu. Há dois anos, o professor da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, Áureo Silva de Oliveira, deu início, com o apoio do CNPQ, ao projeto Memorial do Ensino Agrícola Superior na Bahia. Agora, ele e uma equipe de profissionais correm contra o tempo para salvar preciosidades históricas, como a ata de fundação do Imperial Instituto Baiano de Agricultura, que deu origem à escola, assinada por d. Pedro II em 1859. A criação da instituição foi estimulada diretamente pelos barões da cana, que buscavam a modernização da produção brasileira. Na época, a ausência de professores de agronomia no país fez vir da Europa diversos especialistas para lecionar na nova escola baiana. O acervo da instituição foi então se formando com publicações técnicas em alemão, francês e latim, que constituem hoje um acervo de cinco mil volumes. Há, entre os documentos, registros da chegada de diversas espécies vegetais no Brasil, pelo porto da Bahia, inclusive a soja. A sede original da Escola, o engenho em São Bento das Lages, está hoje em ruínas. O projeto pretende futuramente recuperar a construção histórica que, antes de servir à instituição, foi um convento de beneditinos. “Quando esse material puder ser consultado, ficará evidente a importância da agricultura da Bahia e o papel pioneiro desempenhado pela Escola de Agronomia na história da ciência agrônoma no Brasil”, diz Áureo de Oliveira.
  • Referência:
  • http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/plantando-a-historia-agricola-do-pais
Estudos Agrícolas
Inteligência Estratégica e Agricultura
JANEIRO 2014 | Estudos Agrícolas | Artigo
Mauro de Rezende Lopes

Data de Conclusão: 20 de novembro de 2013
Quais são os aspectos que devem ser considerados para se avaliar investimentos em sua região?
Esse trabalho gera informações estratégicas para o planejamento da gestão de políticas públicas, mas é também, e principalmente, uma plataforma de informações. Analisa-se o papel da tecnologia agropecuária, do planejamento e gestão, da infraestrutura e da gestão ambiental, com lições técnicas e pontos colhidos no mundo real.
Quem desejar receber uma cópia desse estudo completo, favor enviar um e-mail paramrlopes@fgv.br mencionando no assunto Ref. 246.

Serviços de polinização representam 10% do valor da produção agrícola mundial


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Importância das abelhas na produção de alimentos e ameaça de extinção resultante das mudanças climáticas foram temas de encontro do BIOTA-FAPESP Educação <BR> Foto: Tom Wenseleers
Importância das abelhas na produção de alimentos e ameaça de extinção resultante das mudanças climáticas foram temas de encontro do BIOTA-FAPESP Educação
Foto: Tom Wenseleers
25/03/2014 - por Karina Toledo I Agência FAPESP 
A humanidade tem explorado colônias de abelhasprodutoras de mel desde a pré-história, mas somente nos últimos anos se deu conta de que a importância desses insetos para a sua alimentação vai muito além da fabricação do poderoso adoçante natural.
“O mel é, na verdade, um subproduto pequeno quando comparado ao valor do serviço de polinizaçãoprestado pelas abelhas, que corresponde a quase 10% do valor da produção agrícola mundial”, destacou a professora da Universidade de São Paulo (USP) Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, durante palestra no segundo encontro do Ciclo de Conferências 2014 do programa BIOTA-FAPESP Educação, realizado no dia 20 de março, em São Paulo.
Cientistas estimam que no ano de 2007, por exemplo, o valor global do mel exportado tenha sido de US$ 1,5 bilhão. Já o valor dos serviços ecossistêmicos de polinização em todo o mundo era calculado em US$ 212 bilhões. Os dados foram levantados em diversos estudos e estão reunidos no livro Polinizadores no Brasil: contribuição e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais, um dos vencedores do Prêmio Jabuti de 2013.
A obra é fruto do Projeto Temático FAPESP “Biodiversidade e uso sustentável de polinizadores, com ênfase em abelhas Meliponini”, coordenado por Fonseca no âmbito do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade de São Paulo (BIOTA).
As verduras e frutas lideram as categorias de alimentos que necessitam de insetos para polinização (cada uma das produções tem valor estimado de € 50 bilhões). Seguem as culturas oleaginosas, estimulantes (café e chá), amêndoas e especiarias. Em média, segundo os estudos, o valor das culturas que não dependem da polinização por insetos é de € 151 bilhões por ano, enquanto o das que dependem da polinização é de € 761 bilhões.
“Cerca de 75% da alimentação humana depende direta ou indiretamente de plantas polinizadas ou beneficiadas pela polinização animal. Dessas, 35% dependem exclusivamente de polinizadores. Nos demais casos, insetos como as abelhas ajudam a aumentar a produtividade e a qualidade dos frutos”, afirmou Fonseca, que atualmente é professora visitante na Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), no Rio Grande do Norte.
Pesquisas recentes, contou Fonseca, mostraram que mesmo culturas como a canola (polinizadas pelo vento) e a soja (considerada autofértil) produzem entre 20% e 40% a mais por hectare quando recebem apoio de colônias de abelhas da espécie Apis mellifera ou quando a plantação é feita ao lado de áreas com remanescentes de vegetação nativa.
Polinização das abelhas contribui para qualidade e multiplicação dos alimentos - Foto: Pixabay
“Quando se usam abelhas, jataí por exemplo, na polinização do morangueiro em ambientes protegidos, diminui em 70% o número de frutos malformados em alguns cultivares. Outra cultura que se beneficia da polinização em ambientes protegidos é a do tomateiro, que precisa de abelhas que vibram nas flores, como  as do gênero Melipona.  Em geral, as abelhas aumentam a produção de sementes, atuam na qualidade do habitat, tornam os sistemas agrícolas mais sustentáveis e trazem benefícios amplos ao meio, favorecendo outros serviços ecossistêmicos que permitem a preservação da biodiversidade e dos recursos hídricos”, disse Fonseca.
Mudanças climáticas
Embora a demanda pelos serviços de polinização das abelhas cresça na mesma medida em que cresce a produção agrícola mundial, os habitats favoráveis à manutenção desses insetos diminuem a cada ano. Tal descompasso tem resultado em um fenômeno recente batizado pelos cientistas como desordem do colapso das colônias (CCD, na sigla em inglês).
De acordo com Fonseca, a síndrome do desaparecimento das abelhas foi detectada pela primeira vez em 2007 no Hemisfério Norte. Atualmente, naquela região, a perda tem sido em torno de 30% das colônias por ano e tem se tornado necessário importar abelhas de outros locais para promover a polinização agrícola. A Europa também sofre com o fenômeno, que começou a ser detectado no Brasil em 2011.
“O aluguel de uma colônia de abelhas para fazer a polinização chega a US$ 200 nos Estados Unidos, pois os produtores sabem que o lucro gerado pelo serviço prestado será muito maior. E não há abelhas suficientes. Esta é uma tendência mundial, pois cada vez mais plantamos culturas que dependem das abelhas para sua produção”, contou Fonseca.
Entre os fatores apontados como causa do desaparecimento das abelhas estão o uso inadequado de herbicidas e pesticidas, o desmatamento seguido pela ocupação do solo por extensas monoculturas e a migração de colônias para promover a polinização agrícola.
“O pesticida, quando não mata a abelha num primeiro momento, a deixa fraca e reduz o tempo da atividade forrageira (busca de alimento). Por outro lado, as abelhas têm de percorrer distâncias cada vez maiores em busca de comida quando ocorre a substituição da vegetação nativa por monocultura, pois há menor diversidade de flores. A migração de colônias, por sua vez, pode aumentar a competição por comida entre as espécies e favorecer a disseminação de doenças”, explicou Fonseca.
O cenário, já nada animador, tende a piorar com a chegada de um novo problema: as mudanças climáticas globais. Isso porque os polinizadores, assim como as plantas que os mantêm, têm um raio de distribuição geográfica influenciado pela temperatura e pelas chuvas.
“As previsões do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas] para o Nordeste brasileiro, por exemplo, são de aumento de 4º C na temperatura nos próximos 50 anos. Isso deve impactar fortemente na área de ocorrência das abelhas. Temos feito trabalhos de modelagem de distribuição de espécies e estudos com a metodologia da análise polínica do alimento coletado por elas para saber quais plantas as abelhas visitam. Essas ferramentas permitem fazer uma análise da utilização de recursos florais e, com o auxílio do herbário da flora do Brasil, modelamos as fontes principais de alimento. Cruzando os dados, é possível identificar as áreas naturais mais importantes para serem reconstruídas e preservadas e planejar um programa de mitigação. Isso para que daqui a 40 ou 50 anos as abelhas tenham algum lugar para viver”, contou Fonseca. 
A dieta das abelhas
Flor de maracujá: biologia das plantas e seu sistema reprodutivo é completamente dependente da polinização feita por abelhas - Foto: Wikimedia
Também com o objetivo de preservar as áreas naturais importantes para a atração e manutenção de abelhas usadas na produção agrícola, a pesquisadora Cláudia Inês da Silva, da Universidade Federal do Ceará (UFC), tem se dedicado a estudar os hábitos alimentares de mamangavas (gêneroXylocopa) e de outras abelhas importantes para a polinização do maracujá. Parte dos resultados foi apresentada durante sua palestra no segundo encontro do Ciclo de Conferências 2014 do programa BIOTA.
“Escolhemos o maracujá porque essa frutífera tem uma importância econômica grande para o Brasil, que responde por mais de 60% da produção mundial. A fruta é tipicamente cultivada em propriedades familiares e ocorrem grandes flutuações na produção principalmente por causa dos custos com manejo e insumos. E a polinização influencia diretamente nesses custos de produção”, disse Silva.
Segundo a pesquisadora, há muito desconhecimento por parte dos produtores rurais sobre os insetos que visitam as flores do maracujazeiro, a biologia das plantas e seu sistema reprodutivo, que é completamente dependente da polinização feita por abelhas.
“No caso do maracujá, nem todas as abelhas são benéficas. Algumas, como é o caso da Apis mellifera, são muito pequenas e apenas pilham o néctar e o pólen sem conseguir promover a polinização. É preciso entender as necessidades de cada cultura e preservar o polinizador mais adequado”, disse Silva.
Um estudo desenvolvido no Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa estimou que, em uma área de 2,3 hectares de cultivos de maracujá, os serviços prestados por abelhas mamangavas (Xylocopa) diminuem os custos de produção em torno de R$ 33 mil reais por hectare a cada três anos.
Mas, apesar de sua importância, as mamangavas são muitas vezes mortas pelos produtores por serem consideradas agressivas, contou Silva. “Eles temem que elas comam as flores, destruam a lavoura e estraguem as cercas, onde costumam construir seus ninhos. Simplesmente por acreditarem que as mamangavas são besouros”, afirmou.
Durante seu doutorado, realizado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) sob orientação de Paulo Eugênio de Oliveira, Silva identificou 112 espécies de plantas usadas na alimentação das mamangavas. Algumas das mais importantes são consideradas pelos produtores como mata-pasto (espécies dos gêneros Senna e Solanum) e, muitas vezes, são retiradas do entorno.
“Com base nesse estudo elaboramos uma proposta de enriquecimento e restauração da flora que fosse importante para a atração e manutenção dessas abelhas. A partir do estudo da dieta, desenhamos o cenário atual e futuro para identificar áreas potenciais para cultivo do maracujá”, contou Silva.
As informações ajudaram a compor o livro Manejo dos Polinizadores e Polinização de Maracujá, que deverá ser lançado em breve com apoio do Ministério do Meio Ambiente.
Os protocolos desenvolvidos por Silva durante seu doutorado para avaliação das áreas do entorno dos cultivos (composição florística, distribuição espaço-temporal dos recursos florais usados pelas abelhas, avaliação da dieta das abelhas adultas e das larvas por meio da morfologia dos grãos de pólen amostrados nas fezes e outros métodos) estão sendo adotados em estudos de diversas culturas, como morango, caju, café, cacau e acerola.
Sistemas diversos
O pesticida, quando não mata a abelha num primeiro momento, a deixa fraca e reduz o tempo de atividade - Foto: Waugsberg / Wikimedia
As abelhas são consideradas polinizadoras profissionais por terem estruturas corporais especializadas na coleta e transporte de pólen. Há, no entanto, outros diversos animais que contribuem para esse importante serviço ecossistêmico, como besouros, borboletas, mariposas, moscas, pássaros e morcegos.
Este foi o tema abordado durante a palestra de Kayna Agostini, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em Araras. “Todos os sistemas de polinização conhecidos estão presentes no Brasil, por ser um país de clima tropical. Alguns desses sistemas são abióticos, como é o caso da polinização pelo vento, mas a grande maioria é por agentes bióticos”, afirmou Agostini.
Embora grande parte das interações entre os animais e as plantas seja do tipo mutualista (com benefício para ambas as partes), estudos recentes têm mostrado que isso não é uma regra válida em todos os casos. Um dos exemplos citados por Agostini é o da planta conhecida como papo-de-peru ( Aristolochia gigantea).
“A aparência e o odor da flor fazem com que a mosca acredite se tratar de um pedaço de carne. Ao chegar perto para botar seus ovos, ela percebe o engano, tenta passar para o outro lado e acaba ficando presa. Depois que o pólen é liberado a mosca consegue sair, sem nenhum benefício com essa interação”, afirmou Agostini.
Além de pólen – fonte de proteínas – e de néctar – rico em açúcar –, os animais visitam as flores em busca de recursos como óleos, fragrâncias e resinas.
Biota Educação
O ciclo de conferências organizado pelo Programa BIOTA em 2014 tem como foco os serviços ecossistêmicos. Outros três encontros estão programados para este semestre, com temas como proteção de recursos hídricos de rios, riachos, lagos e reservatórios; mudanças climáticas (relacionadas à perda de biodiversidade); e ciclagem de nutrientes (um exemplo é a influência da biodiversidade sobre a poluição e o equilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio na atmosfera).
A iniciativa é voltada à melhoria do ensino da ciência da biodiversidade. Podem participar estudantes, alunos e professores do ensino médio, alunos de graduação e pesquisadores. Mais informações sobre os próximos encontros estão disponíveis em http://www.fapesp.br/8441.