quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A importância do conhecimento dos nematóides para a diagnose de problemas em plantações de soja.

O Brasil é um dos países que mais cresceu na produção de soja dos últimos anos, e a expansão de áreas para a ampliação da produção vem aumentando consideravelmente. Essa expansão territorial é proporcional à demanda do mercado para suprir as necessidades alimentares do país e de outras nações.
Mesmo tendo suposto uma regra lógica para o processo produtivo, ampliando-se as terras aumenta-se a produção, a natureza obedece a suas próprias regras que nem sempre corresponde às expectativas dos produtores. Por exemplo, o que aconteceu com a produção de soja durante as safras de 2001 para 2002, quando houve uma perda da produção devido o aparecimento de doenças causadas por causa da presença de fungos nas plantas.
Assim como acontecem as perdas de safra por causa do aparecimento de doenças fungicas, também acontecem perdas pelo surgimento de doenças causadas por outros agentes, os nematóides.
As doenças causadas por nematóides possuem um agravante, se não são diagnosticadas com precisão além de causar a perda da safra atual, pode gerar perdas em futuras safras além de aumentar os gastos do produtor com um tratamento equivocado do problema.
Existem no mundo mais de noventa espécies de nematóides e no Brasil temos conhecimento de pelo menos cinco espécies que costumam afetar as plantações de soja. Algumas doenças causadas por eles podem levar o produtor à acreditar que existe uma falta de nutrientes no solo. Outros por possuírem um solo fértil podem observar a presença da doença tardiamente, quando as plantas já tiverem atingido a maturidade e não seja possível recuperar os danos.
Um bom método para evitar a presença de nematóides no solo é a variação de culturas ou encharcando o solo por certo período de tempo para depois semear. Tendo ciência de que falamos de produção com prazos para entrega o primeiro método para evitar a presença dos patógenos seria a mais aconselhável principalmente porque geraria uma nova fonte de renda através da produção de outra cultura.
Mesmo assim, ambas as técnicas de prevenção à doença demandam tempo e faz-se necessária a compreensão por parte dos produtores e receptores destas premissas para que o cultivo seja seguro. Sendo assim, eles podem através de associações e parcerias revezar a produção e/ou demandar novos prazos aos compradores para poder garantir a qualidade do produto.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Lavouras do Brasil

Aprenda a produzir em casa o inseticida com baculovírus
Inseticida natural de baixo custo, desenvolvido
pela Embrapa, não provoca danos aos seres
humanos ou ao meio ambiente

Valéria Giani | Londrina (PR)
O baculovirus anticarsia, inseticida natural, foi desenvolvido pela Embrapa na década de 80. Além de não trazer problemas para o meio ambiente, o controle biológico através do uso da própria lagarta oferecia também um baixo custo para os produtores. Só que ao longo do tempo a técnica foi caindo no desuso.
O momento ideal para produzir o baculovirus é logo após o ataque da planta, quando as lagartas estão com a maior carga viral. Para produzir 20 gramas do inseticida natural são necessárias entre 50 e 70 lagartas de tamanho grande. Depois de amassadas e coado o líquido, o produto é diluído em 200 litros de água. Quantidade suficiente para pulverizar um hectare. Se a quantidade de lagartas for maior você poderá usar um liquidificador para triturar os insetos, e se houver necessidade o líquido poderá ser congelado. Depois de aplicado na lavoura, o inseticida mata a lagarta entre 7 e 9 dias.

Flávio Moscardi, pesquisador aposentado da Embrapa, foi o criador da técnica.

– Ele é inofensivo para vertebrados – inclusive o homem, e plantas. Ele só mata o inseto que ele infecta, que é a lagarta da soja. Também não polui o solo ou as águas. Ele é inócuo e também não tem impacto sobre outras espécies, inclusive de insetos como outras lagartas e também parasitóides predadores que são os inimigos naturais. As vantagens são muito grandes, além do custo ser barato – explica o pesquisador.
– A grande vantagem é que ele pode ser aplicado apenas uma vez contra as lagartas pequenas. E essas lagartas vão morrendo, e quando morrem contém uma quantidade muito grande de partículas virais que se multiplicam em todos os tecidos da lagarta e com isso sempre há a liberação de mais vírus sobre as plantas da soja, gerando a morte de lagartas que eclodem de posturas feitas depois da aplicação.

Há 10 anos, o baculovírus chegou a ser utilizado em dois milhões de hectares de soja em todo o brasil. o inseticida foi um dos maiores exemplos de controle biológico.
Atualmente, a área tratada com o baculovírus é bem menor: são apenas 200 mil hectares de soja em todo o país. o uso diminuiu devido a novas práticas de controle de pragas.

– Infelizmente, começou-se a aplicar cada vez mais cedo, com as plantas ainda pequenas, ou antes da soja nascer na dessecação. Se incutiu que deveria se aproveitar as aplicações. Ao se fazer a aplicação de herbicidas, por exemplo, que se misturasse inseticidas químicos de amplo espectro que na verdade levaram a um desequilíbrio. E com isso se eliminava muito cedo os inimigos naturais de pragas – comenta o pesquisador da Embrapa.
– Com isso, o produtor acabou aumentando o número de aplicações. Obviamente, que tendo problemas com essas outras pragas, não dava para ele usar o baculovírus, que é específico para a lagarta da soja anticarsia gemmatalis. Então se gerou uma inversão de valores dando status de praga para insetos que antes não eram pragas – finaliza.

Depois de criar a técnica do baculovírus na década de 80, o pesquisador Flávio Moscardi vai conduzir um novo estudo. Para o colega Adeney Bueno, também pesquisador da Embrapa, o resultado pode corrigir um grande erro.

– Existe um projeto recém-aprovado na Embrapa que vai estudar a compatibilidade de se misturar o baculovírus com herbicidas, por exemplo. Porque o produtor, quando vai aplicar o herbicida na pós-emergência, sente a necessidade de aproveitar a operação agrícola. Muitas vezes, ele mistura inseticidas de longo espectro, que acabam tendo efeito danoso à lavoura porque eliminam os inimigos naturais, causando um desequilíbrio que faz com que outras pragas que não cresceriam a ponto de serem pragas ocorram. Então, se o doutor Flávio provar que dá para usar o baculovírus junto com o herbicida, essa aplicação seria muito menos danosa. Além de controlar a lagarta da soja, ia permitir a preservação de inimigos naturais e que outros problemas sejam minimizados – afirma.
– Essa é uma grande esperança nossa. O desuso do baculovírus foi um grande erro que tem não só aumentado o número de aplicações de inseticidas, como também acarretado muitos problemas.

CANAL RURAL
capa_notaTD 0913 - Ocupação Agrícola e Estrutura Agrária no Cerrado: O Papel do Preço da Terra, dos Recursos Naturais e da Tecnologia

Gervásio Castro de Rezende / Rio de Janeiro, outubro de 2002

Este trabalho propõe que a rápida expansão agrícola das regiões do cerrado, que tem seconcentrado nas atividades de grãos e pecuária bovina, se deve ao baixo preço da terranessas regiões vis-à-vis as demais regiões agrícolas do Brasil e do exterior. Esse baixo preçoda terra, por sua vez, é explicado não só em função da maior distância dessas regiões docerrado em relação aos mercados consumidores (o que, naturalmente, tende a anular avantagem desse menor preço), mas, também, devido às limitações dos recursos naturais(extremo rigor do período seco, que restringe a atividade agrícola a grãos e pecuáriabovina) e, sobretudo, às inovações tecnológicas que tornaram possível que a terra de boaqualidade se tornasse abundante na região, mediante sua produção a partir de terras dequalidade inferior. Para mostrar mais claramente como isso vem ocorrendo, o trabalhodesenvolve um modelo de mercado de terra com ?produção de terra?, especialmente talhado para a análise do cerrado. Prosseguindo nesses objetivos teóricos, o trabalhopropõe um contraste com as teorias de progresso técnico de Hayami e Ruttan e de Hicks,concluindo que elas não são adequadas para a análise do cerrado. Procura-se tambémderivar implicações para as análises de função de produção e de produtividade total dosfatores (PTF). Finalmente, o trabalho procura também explicar a formação da estruturaagrária concentrada no cerrado e, em particular, a pequena presença da agriculturafamiliar na região. Nessa discussão, a ênfase recai sobre o preço baixo das terras e ascaracterísticas peculiares dos recursos naturais e da tecnologia, e não sobre as políticaspúblicas. Em suas conclusões, o trabalho deriva implicações para as políticas de meioambiente e de reforma agrária e critica as análises econométricas do preço de terra feitasaté agora, por não levarem em conta esse mecanismo de longo prazo de criação de terrano Brasi

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Primeira folha feita pelo homem converte gás carbônico em oxigênio

Por Redação Olhar Digital
(Foto: reprodução)
(Foto: reprodução)
As plantas são uma dádiva para a humanidade e a vida animal como um todo, fornecendo o oxigênio necessário para a existência. O problema é que elas não crescem em gravidade zero, o que impede seu uso para reciclagem do ar em viagens espaciais. Agora isso pode deixar de ser um problema com a primeira folha capaz de fazer a fotossíntese criada pela ação humana.
Julian Melchiorri, formado na universidade britânica Royal College of Art, criou uma alternativa à falta de terra, sol e nutrientes que normalmente são necessários para a fotossíntese. Sua criação utiliza cloroplastos (a parte da célula da planta responsável pela fotossíntese) e proteínas de seda para criar algo que parece uma folha visualmente, com a mesma capacidade de produção de oxigênio a partir do dióxido de carbono, água e luz.
O pesquisador pensou nas aplicações para viagens espaciais, que certamente devem ser observadas de perto pela Nasa, mas também pensou em aplicações mais cotidianas, como o fornecimento de ar fresco em um ambiente fechado, por exemplo, usando em uma luminária, por exemplo.
No vídeo abaixo, ele cita a possibilidade de que a fachada de prédios poderiam ser revestidas do material criado por ele para dar uma reciclada no ar da cidade.
Fonte: [ Olhar Digital ]

Pegada hídrica, um novo desafio para a pecuária


448Pegada hídrica é a quantidade de água, direta e indiretamente, usada na produção de um produto. A média global para a produção de um quilo de carne bovina é de 15,5 mil litros de água
Por Gisele Rosso*
A estiagem que afeta o Estado de São Paulo traz reflexos negativos tanto no meio urbano como no rural. Para Albano Henrique de Araújo, coordenador de Estratégia de Água Doce da The Nature Conservancy (TNC), organização de conservação ambiental presente em mais de 35 países, parte do problema está associado a uma gestão ineficiente do recurso água, que poderia ser otimizada com a aplicação do conceito da pegada hídrica.
Pegada hídrica é a quantidade de água, direta e indiretamente, usada na produção de um produto. A água está presente na calça jeans, no combustível, na carne, no leite, no papel. O quanto desse recurso é preciso até o produto chegar ao consumidor é um cálculo complexo, e o resultado, geralmente, alto. Conhecer o valor da pegada pode colaborar para evitar o desperdício e melhorar a gestão da água.
O Brasil tem cerca de 12% da água doce do planeta. No entanto sua distribuição é desigual e as principais reservas não estão localizadas onde se concentra grande parte da população. Um exemplo é que 68% da disponibilidade de água superficial está na Região Hidrográfica Amazônica, onde a concentração populacional é menor.
"A falta de água traz uma conscientização imediata sobre a importância de usar de forma sustentável os recursos hídricos", afirma Albano de Araújo. Para ele, a preocupação com a água é inversamente proporcional à sua disponibilidade. Com os problemas de escassez vividos na atualidade, o assunto entra na pauta do governo e da sociedade.
A falta de água não afeta apenas o meio urbano. Agricultores e pecuaristas sofrem com a escassez, já que dependem de água para produção de alimentos. No entanto, o manejo desse recurso ainda não faz parte da rotina desses produtores e o uso intenso, sem gestão adequada, coloca em risco sua disponibilidade em quantidade e qualidade e o futuro dos sistemas de produção.
Pegada hídrica na pecuária
O agronegócio, apenas em 2013, gerou, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), um superávit de US$ 83 bilhões. As exportações de carne bovina em 2013 significaram US$ 6,6 bilhões de receita, alta de 13,9% em relação a 2012, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Para manter-se competitivo economicamente e ao mesmo tempo fazer com que a produção agropecuária seja socialmente justa e ambientalmente correta, é preciso que o produtor adote em suas rotinas produtivas conhecimentos, práticas e tecnologias que visem uma propriedade mais sustentável. O manejo hídrico é um dos gargalos.
Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, as propriedades rurais ainda não têm controle significativo da água captada e consumida. "Houve evolução nos sistemas de produção e em suas práticas reprodutivas, nutricionais e sanitárias. Agora, o momento é de um novo salto - internalizar o manejo hídrico, ambiental e de resíduos. Educação e uma cultura hídrica são indispensáveis para que a água não seja uma ameaça ao desempenho e à sanidade das criações", explica Palhares.
Para fazer o manejo hídrico da propriedade, é necessário conhecer os fluxos de água e o quanto é consumido. Mas como chegar a esses números? Embrapa, instituições de pesquisa e iniciativa privada estão, neste momento, calculando a pegada hídrica da carne e do leite. No caso da carne, por exemplo, o cálculo para conhecer a pegada hídrica leva em consideração toda a água usada no processo, desde a quantidade consumida na produção do alimento dado ao animal até a utilizada no abate.
Informações do cálculo são mais importantes que resultado
De acordo com Julio Palhares, conhecer o sistema de produção é fundamental. O valor depende do local do sistema, do tipo de animal, da composição e origem dos alimentos fornecidos e das formas de uso da água – para consumo animal, irrigação, resfriamento e lavagem.
A pegada hídrica auxilia no entendimento de como o produto se relaciona com a água. O pesquisador ressalta que o mais importante não é o valor final, mas as informações geradas pelo cálculo que possibilitam uma melhor gestão dos recursos hídricos nas propriedades e nas cadeias de produção.
O cálculo da pegada que envolve a Embrapa e parceiros tem como base os sistemas de produção de carne em confinamento e de leite a pasto. O diferencial da pesquisa diante de cálculos já feitos é trabalhar com as realidades produtivas brasileiras. O resultado será a validação de práticas e tecnologias para reduzir o valor da pegada hídrica e, assim, melhorar a eficiência do uso da água.
A média global para a produção de um quilo de carne bovina é de 15,5 mil litros de água. De acordo com Araújo, esse valor foi influenciado pela criação intensiva de gado nos países europeus, com alimentação à base de ração.
No Brasil, a produção a pasto é predominante. O especialista da TNC acredita que o resultado da pegada hídrica no Brasil deve ser inferior à média global, levando em conta os métodos produtivos e as condições climáticas.
Bom exemplo
O produtor de leite orgânico Ricardo José Schiavinato, da Fazenda Nata da Serra, em Serra Negra (SP), utiliza controle da água para diminuir o consumo em sua propriedade.
Uma das práticas é a irrigação noturna. Outra foi a instalação do evaporímetro de Piche, que mede a evaporação da água, o que garante maior informação para a gestão. A reutilização da água da lavagem do laticínio e do local de ordenha na fertirrigação para adubação das pastagens também ajudou a garantir a economia e melhor aproveitamento dos recursos.
Schiavinato conta que, com o monitoramento constante, é possível economizar água e também dinheiro. O consumo é um indicador importante para a tomada de decisão na hora da gestão de modo a melhorar a eficiência da produção na fazenda.
Para medir o consumo na propriedade e conhecer o custo da água, de forma simples e barata, o pesquisador Julio Palhares recomenda a instalação de hidrômetros. Ele alerta, entretanto, que "os equipamentos devem ser escolhidos de acordo com as características estruturais e hídricas de cada propriedade, o que requer consulta a um profissional habilitado".
O manejo hídrico em propriedades agropecuárias, como o caso de Schiavinato, ainda é isolado. De acordo com Palhares, é necessário ampliar o conhecimento sobre o assunto e fortalecer políticas públicas que estimulem o uso eficiente da água pelas criações pecuárias.
O impacto de práticas hídricas adequadas ultrapassa o ambiente da propriedade, afetando positivamente toda a cadeia de produção e até o consumidor final. Trata-se de produzir igual ou maior quantidade de carne ou leite, por exemplo, com menos litros de água. O resultado é a redução do valor da pegada hídrica, essencial para uma produção animal mais sustentável e economicamente viável.

Fonte: Embrapa – pecuaria-sudeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (16) 3411-5625 (Confira também:
www.facebook.com/agrosustentavel)